sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Escola de formação de agentes da Pastoral Familiar

O movimento das Equipes de Nossa Senhora nos quer engajados e atuantes na Igreja. Sabemos quão precioso é o trabalho da Pastoral Familiar em nosso país e para que este trabalho se fortaleça ainda mais, a CNBB está fazendo um belo trabalho para formação de Agentes da Pastoral Familiar.

Dom João Carlos Petrini, Presidente da Comissão Episcopal para a Vida e Família / Comissão Nacional da Pastoral Familiar - CNPF, encaminhou uma carta à todos os Bispos, com o objetivo de apresentar a escola que promove a formação geral de agentes da Pastoral Familiar. O intuito é de promover também a vivência de valores humanos e cristãos na família e na sociedade. 

Dom Vicente Costa (Bispo Diocesano de Jundiaí) pediu que esse conteúdo fosse divulgado através da Comissão Diocesana para Vida e Família. O casal Sérgio e Nice, vice coordenadores deste projeto, nos enviou então, para que também os equipistas se integrassem deste fato. Para visualizar esta carta, clique aqui.


terça-feira, 25 de setembro de 2012

2º Retiro Anual das ENS Jundiaí - Fotos

"Um retiro maravilhoso, muito bem preparado!" Foi assim que os casais se referiram ao 2º Retiro Anual das Equipes de Nossa Senhora de Jundiaí, realizado nos dias 14, 15 e 16 de Setembro.

Pe. Samuel, com todo seu zelo e amor pelo movimento, preparou um ambiente onde os casais estivessem realmente retirados do mundo e em sintonia consigo mesmo e com Deus. Ele propôs aos casais, muitos momentos de reflexão e trabalho com temas profundos e pontuais como:



As fotos deste final de semana foram disponibilizadas pelo casal Kátia e Celso (Equipe 6B) e estão aqui. Nosso agradecimento ao casal!

"Vai e também tu faz o mesmo" - A vivência dos "quartos dias"

“Qual destes três te parece ter sido o próximo daquele homem que caiu nas mãos dos salteadores? O doutor da lei respondeu: O que teve compaixão dele. Disse-lhe Jesus: Então vai e faz o mesmo”. (Lc 10, 36s) 

Jesus conta a parábola do Bom Samaritano para responder a duas perguntas: a primeira sobre a vida eterna e a segunda sobre quem é o próximo. Ao final da narrativa, Jesus pergunta ao doutor da lei qual foi o próximo do homem que foi deixado meio morto pelos ladrões. Diante da resposta do doutor da lei, o convite: “Vai e faz o mesmo”! 

O diálogo de Jesus vai gradativamente envolvendo o doutor da lei, de forma que ele possa tirar as suas próprias conclusões. Jesus nunca deu o “peixe pronto” pra ninguém, mas sempre dá a “vara de pescar”. 

Estamos chegando ao final do nosso retiro anual, que constitui uma oportunidade de inserirmos a nossa vida matrimonial e a nossa vida de casal equipista nos planos e nas mãos de Deus que nos ama. Um retiro é sempre um sinal de Deus, por isso um sacramento! E na Igreja, todo sacramento exige de nós um comprometimento. 

Esses três dias que aqui passamos deve ser ao mesmo tempo um convite e um incentivo, a fim de vivermos os outros dias, os “quartos dias”, procurando atender ao convite que Jesus nos faz de irmos e fazemos o mesmo que fizera o samaritano. 

Imaginemos o caminho de conversão e de aceitação que teve de ser percorrido por aquele doutor da Lei e por todos os judeus que escutaram a parábola de Jesus, para acolherem e aceitarem as palavras de Jesus, que colocava um samaritano, um impuro, como um exemplo a ser seguido! Jesus é sempre surpreendente em suas palavras e atitudes, à medida que ele inova e mostra a vontade do Pai. O hino do XI Encontro Internacional das Equipes de Nossa Senhora nos diz: “Ousar o Evangelho é ir além do programado! Ousar o Evangelho é acolher o inesperado”! 

Acolher o convite que nos fez Jesus é ser como o samaritano: alguém que vê com os olhos do coração e por isso sente compaixão, as suas entranhas doem e apertam diante do sofrimento humano. Tal compaixão o faz colocar a vida humana acima de qualquer lei ou ameaça contra a pureza, o faz superar o medo de ter o mesmo destino daquele infeliz moribundo. E não para por aí: o samaritano cuida de toda a logística e da recuperação da saúde deste homem desconhecido, deixado meio morto pelos salteadores e abandonado por um sacerdote e um levita: “Depois colocou o homem em seu próprio animal e o levou a uma pensão, onde cuidou dele. No dia seguinte, pegou duas moedas de prata, e as entregou ao dono da pensão recomendando: Tome conta dele. Quando eu voltar, vou pagar o que ele tiver gasto a mais” (Lc 10, 34s). 

Atrevo-me a fazer um paralelo entre o pedido de Maria aos que serviam, nas bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2, 5) e o que diz Jesus ao doutor a lei e a cada um de nós hoje: “Vai e também tu faz o mesmo” (Lc 10, 37). Maria, a primeira cristã e a pioneira no processo de internalização dos ensinamentos e da missão de Jesus, nos exorta para que o obedeçamos; e Jesus nos pede que façamos o mesmo que fez o samaritano: amemos sem medida. O amor verdadeiro é o amor desprendido de interesse ou de qualquer preconceito ou medo! Jesus quer que ao menos nos coloquemos na condição de aprendizes na escola aonde ele é o grande mestre e a sublime lição é o amor sem medidas! 

Fazer o mesmo que fez o Samaritano, o mesmo que fez Jesus Cristo, constitui um imperativo que compete a nós não somente pela condição de casais equipistas, mas principal e fundamentalmente porque somos consagrados a Deus no batismo, além de anunciadores e destinatários do seu Reino! 

Há um campo muito vasto a ser semeado: o mundo, a Igreja! Há uma infinidade de pessoas que almejam abraçar o sacramento do matrimônio com disposição e preparo. Há porém pessoas que abraçam o matrimônio por necessidade ou porque as circunstâncias as forçam: uma gravidez, o desejo de uma maior liberdade etc. 

Há pessoas infelizes em seus matrimônios, que são agredidas e/ou traídas e humilhadas pelos seus parceiros. Há pessoas que vivem juntas sem terem abraçado o sacramento do matrimônio. Há pessoas que vivem em segunda união estável. Há pessoas do mesmo sexo que vivem juntas, reclamando o direito de serem chamados e reconhecidos como esposos! Falta amor, falta perdão, falta a paz! E onde estamos nós diante deste mundo que grita por ajuda? 

Como sabiamente nos disse o Cardeal Carlo Maria Martini, de saudosa memória: “Embora as Equipes de Nossa Senhora não seja um movimento de ação, quer ser um movimento de gente ativa”. Aqui está a essência e a adaptação do convite de “fazer o mesmo”, direcionado para o nosso movimento: um movimento de pessoas ativas! 

A santificação do casal é o ponto de chegada que almejamos. Porém, não devemos incorrer no mesmo erro dos adeptos da reforma protestante, no início da Idade Moderna, que distorceram o conceito de salvação, associando-a simplesmente à fé e desvinculada das obras! 

É claro que não somos salvos pelo que fazemos! A salvação é um conceito universal, ou seja, para todos; e vem a nós pela infinita bondade de Deus, e não porque sejamos bons! Porém, o nosso agir, o nosso “fazer o bem” deve ser o fruto de nossa convicção da presença de Deus na nossa vida! O “fazer o mesmo” deve ser encarado como a conseqüência de nossa inserção no processo de salvação, e não a causa! 

A santidade passa pela nossa ação para mudar a vida do nosso próximo! É muito triste constatar que muitas equipes de base desviam ou adaptam de acordo com suas necessidades e comodidades este imperativo radical, esvaziando o conceito de santidade conjugal e desvinculando-a do serviço ao próximo, aos necessitados! 

Enquanto casal cristão, como anda a nossa vida apostólica na Igreja de Jesus Cristo? – há pastorais específicas para o sacramento do matrimônio e para a família, bem como há serviços pastorais que podemos realizar em nossas paróquias enquanto casal: pastoral dos noivos, pastoral familiar, ministros da sagrada comunhão, pastoral da saúde, pastoral catequética etc. 

Não é a nossa intenção encerrar o assunto e as reflexões acerca de tão bela e rica parábola contada pelo nosso Salvador Jesus Cristo! Todavia, nunca é demais reforçarmos o apelo à santidade ativa enquanto casais equipistas. Não foi à toa que todas as palestras e reflexões do XI Encontro Internacional do Movimento insistia nesta questão, através das palavras dos conferencistas e dos testemunhos dos casais! 

Vamos e também nós façamos o mesmo! O horizonte é vasto e há muito a ser feito e contemplado! Há muito nevoeiro encobrindo as cores fortes do horizonte belo que Deus nos prepara! A esperança é o nosso combustível, a Igreja o nosso meio de transporte, o Cristo, a nossa inspiração e fundamento! 

Obrigado por tudo! O meu carinho e bênção: 

Pe. Samuel Alves Cruz, sds 
SCE Equipe 7B - Jundiaí/SP 

*Texto usado no Retiro Anual das ENS Jundiaí (14 a 16 de Setembro de 2012)

Os Pontos Concretos de Esforço na vida de casal

Uma das grandes descobertas quando do surgimento do movimento das Equipes de Nossa Senhora foi a possibilidade e a necessidade de uma espiritualidade conjugal dentro do sacramento do Matrimônio. Em outras palavras, descobriu-se que a santidade é possível também vivendo como marido e mulher. O sacramento do matrimônio transformou-se, a partir daí, num ponto de partida, e não mais num ponto de chegada. 

Para alcançarmos a santidade é necessário percorrermos um itinerário de aprendizado, revisão e conversão constante. É por isso que no movimento das Equipes de Nossa Senhora, a espiritualidade conjugal é vivida com o auxílio dos Pontos Concretos de Esforço, mais conhecido como PCE´s. 

Os PCE´s são como que a institucionalização do que já deveria ser vivido por todos os casais que abraçaram o sacramento do matrimônio. Ao institucionalizar algo, busca-se a legitimidade e a continuidade. Ao mesmo tempo, os Pontos Concretos de Esforço devem ser uma constante retomada à nossa opção primeira. Opção esta que me fez deixar a segurança da família para nos unirmos em aliança, com as bênção de Deus, com aquele(a) que é o(a) destinatário(a) por excelência do nosso amor. Para que o matrimônio seja sempre fortalecido e ressignificado, é importante não perdermos de vista a nossa opção primeira. 

Animados por dois jargões: “Recordar é viver” e “A Filosofia é a arte da repetição”; vamos retomar os seis pontos concretos de esforço: 

ESCUTA DA PALAVRA – MEDITAÇÃO – ORAÇÃO CONJUGAL – DEVER DE SENTAR-SE – REGRA DE VIDA – RETIRO ANUAL. 

A Escuta da Palavra é a oportunidade de nos colocarmos na condição de ouvintes e atentos à vontade de Deus. É o Cristo que se faz presente pela sua palavra sempre viva e atualizada; Na Meditação, busca-se a sensibilidade para perceber o que Deus está querendo me dizer e o que quer de mim. 

Na celebração do Matrimônio, apesar de ser sinal de um sacramento que assumimos a dois, há momentos que aludem à importância de nossa individualidade, como na parte chamada diálogo e consentimento, onde os cônjuges respondem de forma individual a três perguntas que estão relacionadas a três aspectos essenciais do Matrimônio: a liberdade, a fidelidade e o compromisso. Para fazermos o nosso cônjuge feliz, precisamos antes de tudo, ser pessoas felizes! É por isso que os dois primeiros pontos concretos são convites a saborearmos a nossa individualidade, para, a partir daí, partirmos para a Oração Conjugal. Neste terceiro ponto concreto, contemplamos um encontro entre “marido e mulher”, no qual se dirigem ao Senhor, pedindo sensibilidade para perceberem a sua vontade e para que Ele ative as graças do sacramento. 

No Dever de Sentar-se, temos a graça de um diálogo com Deus, no qual falamos e escutamos o nosso cônjuge, ao mesmo tempo em que escutamos Deus, falando por nossa boca e pela de nosso parceiro. Deve ser um diálogo verdadeiro, repleto de muita franqueza e caridade, no qual cada um se esforça para não manipular nem enganar o outro. 

Na Regra de Vida, partimos para questões práticas resultantes de nossa experiência de Deus e da vida em casal. É um propósito que assumimos a fim de caminharmos com mais firmeza para a santidade, vivendo com mais paz e amor em família. 

No Retiro Anual, muito mais importante do que o pregador, somos cada um de nós, é a atitude de reflexão e de encontro, para o qual se deve dedicar tempo suficiente. Através do Retiro, nós buscamos um encontro mais pessoal com Deus, ao mesmo tempo em que é sinal de nossa abertura, a fim de que o matrimônio que abraçamos seja inserido no Plano de Deus. É no retiro que se busca planejar a vida de casal na presença de Deus. 

Para assimilarmos as atitudes propostas pelos PCE´s, é necessário disposição e assiduidade, uma vez que só a repetição faz nascer os hábitos em nossa vida. É por isso que se usa os adjuntos adverbiais de modo e de tempo como: “assiduamente”, “cada dia”, “cada mês”, “cada ano”. 

O amor conjugal é um sinal do amor de Deus e, paradoxalmente, é vulnerável. É por isso que precisa de cuidados contínuos. O amor precisa sempre ser recordado, celebrado, tornado presente, caso contrário, se apaga, esmorece e morre. O amor é celebrado, atualizado e fortalecido em cada rito de encontro como celebração de datas importantes na vida de casal, encontros, recordações, músicas, palavras etc. Da mesma forma. Uma vida cristã sem ritos de encontro, que se destinam a atualizar em nós o amor e a presença de Deus dilui-se, perde coesão, não se transforma, não cresce. 

Os pontos concretos compõem o momento da partilha da reunião de equipes. A partilha é um esforço conjunto de entreajuda espiritual, para que juntamente com os outros casais de nossa equipe de base, avancemos juntos num caminho de conversão. Vale ressaltar aqui a importância tanto de falar como de escutar, no momento da partilha, a fim de que possamos ajudar e ser ajudados. 

O momento da partilha é sempre difícil porque na reunião, quando nos damos conta das nossas fraquezas e defeitos, é difícil aceitar. Dizer em voz alta e com franqueza nas reuniões “não fiz”, “não tive tempo”, “fizemos ‘meia boca’”, nos coloca diante da diferença entre o que dizermos e o que realmente fizemos. 

Isto porém, deve ser um convite constante à melhoria. A humildade em reconhecer os nossos defeitos e limitações e ao mesmo tempo a nossa disposição em buscar fazer melhor da próxima vez, é um belo testemunho de busca daqueles que almejam, mesmo diante das limitações e dificuldades, a configuração ao Cristo Mestre que nos ama e quer a nossa felicidade. 

Pe. Samuel Alves Cruz, sds 
SCE Equipe 7B - Jundiaí/SP 

*Texto usado no Retiro Anual das ENS Jundiaí (14 a 16 de Setembro de 2012)

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Encheu-se de compaixão...

Vamos conversar um pouco sobre a reação do Samaritano ao ver o homem sem identidade que jazia meio morto no meio do caminho. Não quer dizer que o sacerdote e o levita também não tenham se sensibilizado com a situação daquele infeliz, porém, estes estavam cegos por causa do apego exagerado à lei. 

A expressão original no texto da parábola é um verbo grego que fala de dor profunda. Não é só uma compaixão moral ou espiritual, mas uma dor física, visceral. É o mesmo verbo que corresponde ao sentimento que acompanha Jesus nos textos evangélicos que narram a sensibilidade d´Ele diante dos sofrimentos e necessidades humanas. É o desprendimento interior de quem carrega a dor externa e a faz sua. 

Ter compaixão, desde antes da época de Jesus significa “sentir junto”; “sofrer com”. É bom sentir “por” alguém , o que faz parte da compaixão. Porém, se não superar tal estágio, fica simplesmente resumido no paternalismo e condescendência. É preciso sentir com as pessoas, respeitando como elas se sentem e como veem as coisas. Para nós cristãos, a compaixão é um convite para entrarmos na dor e na vida do outro, sentirmos as suas dores, a fim de que tamanha experiência possa nos levar a sairmos de tal situação, libertando também o nosso irmão. Para nos libertarmos é preciso sentirmos na pele. O samaritano viu o homem caído na estrada e encheu-se de compaixão. Isto significa literalmente que as suas entranhas foram tocadas, ficou comovido no âmago do seu ser. 

A compaixão que vem de Deus, exige de nós algumas mudanças interiores. A primeira delas é que vejamos as pessoas enquanto seres humanos como nós, ao mesmo tempo que as vemos diferentes de nós, como fruto de uma experiência única que nunca atingiremos a totalidade do conhecimento. É preciso dar espaço para que os nossos irmãos sejam eles próprios. Sentir misericórdia não é tomar as dores do outro e senti-las sozinho. O sofrimento do outro deve provocar a disposição para a mudança e em muitos aspectos depende da adesão e da atitude daqueles que são destinatários de nossa compaixão. Em outras palavras, ser misericordioso não constitui sinônimo de paternalista. O samaritano aproxima-se mas também deixa o homem ferido na estalagem para continuar a sua própria vida. 

A compaixão exige de nós um movimento de sensibilidade para enxergarmos, mas também de permissão para nos deixarmos enxergar. Jesus nos enxerga, mas também se deixa ver, se deixa encontrar por quem o procura. A verdadeira compaixão significa que olhamos para as pessoas com amor, mas também nos deixamos ver. Se apenas olhamos, pode ser que estejamos reivindicando alguma superioridade. A compaixão/misericórdia nos faz iguais, sem superioridade mas sem rebaixar-se. Em outras palavras, para ajudarmos alguém, não basta mostrarmos que somos melhores ou que temos algo mais que falta ao outro. Para ajudarmos, precisamos nos mostrar iguais. Assim como fez o Deus Salvador, que para nos salvar se fez um de nós! 

No famoso quadro do pintor Rembrandt, conhecido como o retorno do filho pródigo, Deus Pai, alí representado pelo pai misericordioso está envolto em um manto vermelho. O vermelho é a cor da paixão. Filosoficamente falando, paixão é uma influência de uma afecção má. O pintor quer retratar o Deus que se permite “rebaixar-se” à condição das mazelas humanas, porque nos ama, é um Deus apaixonado pelo ser humano. A encarnação é justamente este “movimento para baixo” que Deus faz, porque ama o ser humano e quer resgatá-lo do fundo do poço. E tal resgate não é possível apenas mostrando o caminho certo a ser seguido. É necessário descer até as profundezas do nevoeiro das limitações e necessidades humanas e sentir com, para que o ser humano seja plenamente resgatado! No quadro referido acima, a túnica dourada representa a força renovadora da misericórdia/ compaixão de Deus! 

Deus se rebaixa, se arrisca, se desinstala porque, antes de tudo, ama! Tais atitudes percebemos também no samaritano de nossa parábola. O seu amor/compaixão o faz rebaixar à condição daquele homem meio morto, arriscando a própria vida, e tendo a coragem de mudar os seus planos (desinstalando-se). O amor é muitas vezes algo imprevisível. Ele perturba os meticulosos planos que fazemos para as nossas vidas. Se amamos, temos também que aceitar que poderemos em alguns momentos, perdermos o controle sobre as nossas vidas, porque não temos como saber antecipadamente o que o amor vai nos pedir. Hoje vemos que a nossa sociedade se vê assustada com esta imprevisibilidade do amor, atemorizada pelo medo de correr riscos. 

E nós enquanto casal. Será que nos permitimos usar de misericórdia e compaixão para com o nosso cônjuge, sem medo de também nos mostrarmos quem realmente somos, por dentro e por fora? Tenho coragem de me arriscar profundamente por amor? Me deixo ser ajudado pelo outro, ao mesmo tempo em que sou sensível para com as dores e necessidades do meu parceiro(a)? 

Que Deus nos abençoe e ilumine nesta Odisseia que é a vida – o palco para o exercício da misericórdia/compaixão 



Pe. Samuel Alves Cruz, sds
SCE Equipe 7B - Jundiaí/SP

*Texto usado no Retiro Anual das ENS Jundiaí (14 a 16 de Setembro de 2012)

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Mas, um samaritano (...) passou junto dele e, vendo-o...

“Por coincidência, descia pelo mesmo caminho um sacerdote; viu-o e passou adiante. Do mesmo modo, um levita que vinha por aquele lugar, viu-o e passou adiante. Mas um samaritano, que ia de viagem, passou junto dele e, ao vê-lo, encheu-se de compaixão”. (Lc 10, 31 – 33) 

Quando lemos este texto bíblico, não há como não reproduzirmos mentalmente a cena, e percebermos a disparidade que há entre o comportamento do sacerdote e do levita, homens de Deus, e o comportamento do samaritano, pertencente a um povo malquisto pelos judeus. 

Saint-Exupéry em seu mais célebre livro, “O Pequeno Príncipe” nos diz que “Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível aos olhos”. 

Na parábola do bom samaritano, o verbo ver aparece três vezes, porém, a última vez que aparece tem um significado mais completo. Ver é o único verbo que não exprime movimento físico, mas contém, dentro do contexto da parábola, uma infinidade de movimentos interiores e exteriores, vindos do coração. 

A visão é a primeira comunicação que exercemos. Ela é imediata. O comércio compreendeu muito bem isto. Observem as propagandas nos dias de hoje, que possuem muito mais imagens e cada vez menos textos escritos, gerando muitas vezes o que chamamos de poluição visual. Quando vocês foram acertados pela flecha do cúpido, quando conheceram aquele (a) que hoje é o (a) seu (sua) cônjuge, o olhar foi a primeira fonte de comunicação, da qual decorreu todas as outras: o toque, a conversa, a escuta etc. 

Jesus Cristo tinha com certeza uma força que emanava do seu olhar! Seus olhos deviam possuir uma força de atração extraordinária, quase magnética. Os pescadores do mar da Galileia deixaram tudo e foram com ele. Também as multidões ficam encantadas. Jesus se comunicava com o seu olhar! São conhecidos os três olhares de Jesus na Bíblia: o primeiro dirigido ao jovem rico, o segundo dirigido a Judas e o terceiro a Simão Pedro. 

PRIMEIRO OLHAR (Mc 10, 17 – 22) : O Jovem rico pergunta a Jesus o que é necessário para possuir a vida eterna. Satisfeito com a conclusão a que chegou, a partir do que conversara com Jesus, uma vez que seguia fielmente todos os mandamentos da lei, é surpreendido pelo acréscimo de Jesus, após um olhar de amor, dizendo que lhe falta somente vender tudo, dar aos pobres e segui-lo. O olhar de Jesus é um convite a segui-lo a partir de uma nova postura de vida. 

SEGUNDO OLHAR: Judas, apóstolo de Jesus que o traiu. Jesus preso no horto, traído por um beijo e preso nos pátios do sinédrio e no Palácio de Pilatos, viu e foi visto por Judas (Mt 26, 47 – 54; 27, 3 – 9; Lc 22, 47 – 53). O olhar de Jesus e o olhar para Jesus resultaram em desespero, a ponto de o amigo de antes não conseguir dar o passo de confiança na misericórdia infinita. Recebeu muito, comprometeu-se à custa de um dinheiro sujo, corrompeu-se e não conseguiu voltar atrás. 

TERCEIRO OLHAR: Pedro é o destinatário do terceiro olhar de Jesus, quando depois de negá-lo três vezes, é visto por Jesus e o galo canta três vezes, ao que Pedro vê cumprir aquilo que Jesus predissera, de que ala o negaria por três vezes, antes que o galo cantasse. (Lc 22, 54 – 62) 

Os três olhares de Jesus: o primeiro de amor, o segundo e o terceiro de tristeza e decepção, são intensos e verdadeiros. Diante do olhar de amor de Jesus, o jovem rico se foi; diante do olhar de tristeza e decepção de Jesus, Judas se desesperou e Pedro preferiu fazer o caminho de conversão. 

O sacerdote, o levita e o samaritano viram o homem meio morto caído no meio do caminho. Mas por que somente o samaritano o ajudou? O verbo ver tem as suas raízes na língua sânscrita e significa não somente ver com os olhos, mas distinguir, discernir e depois saber, entender no sentido não somente do conhecimento, mas também do discernimento. 

O samaritano consegue ver porque não coloca barreiras racionais ao seu pensamento. Barreiras estas que talvez tenham feito o sacerdote e o levita se desviarem. O samaritano consegue ver com os olhos do coração porque é capaz de acolher o imprevisto. Aproxima-se porque aquela coisa nova aconteceu, um homem meio morto no seu caminho, ao que ele não desvia o olhar para o outro lado, mas se faz presente na realidade do momento. 

Aquele pobre homem que se encontra meio morto no meio do caminho, é visto pelo sacerdote e pelo levita como um obstáculo a ser evitado e um contratempo para os seus projetos, enquanto para o samaritano é uma oportunidade para investir na humanidade e na vida. Nós podemos ver as realidades de várias formas diferentes e, portanto, ter uma resposta diferente para cada realidade vista e com isto estabelecer as relações mais diversas conforme o nosso modo de ver. Jesus conhece apenas uma forma: ver e amar! 

O samaritano faz aquilo que o sacerdote e o levita não foram capazes de fazer: ele ama. Não ama somente com os sentimentos, ama com toda uma série de gestos concretos: vê o homem, tem compaixão, aproxima-se, enfaixa as feridas, derrama óleo, derrama vinho, carrega-o sobre o jumento até a hospedaria etc. O samaritano é o Cristo que vê o homem, vê cada homem na sua realidade de vida, o ama, nos ama e cuida de nós. 

O bom samaritano viu o homem ferido e meio morto e se aproxima, isto é, faz dele o seu próximo. E por que se aproxima de alguém que sofre? Porque ele também sofreu! O sofrimento muitas vezes nos faz olhar as pessoas com outros olhos! 

Enquanto casais cristãos, somos convidados a vermos além das aparências, enxergar com outros olhos, com olhos de amor, de acolhida de reconhecimento! O que os olhos físicos contemplam e gostam, um dia passa! A beleza que agrada aos olhos físicos é passageira! É preciso nos concentrarmos no que enxerga os olhos do coração! Não podemos ver e enxergar somente os defeitos e nem somente as qualidades do nosso cônjuge. 

O olhar que nós teremos de Jesus, quando chegarmos na plenitude dos tempos, será baseado no modo como enxergamos o nosso cônjuge e o nosso próximo em geral! Não se esqueçam de que vocês são próximos de seus cônjuges e que o amor verdadeiro é a fonte de salvação! 

PARA SER VISTO EM CASAL: 

- Quanto tempo faz que não vejo plenamente o meu cônjuge? Qual é o olhar mais frequente na minha vida para com o(a) meu (minha) parceiro(a)? O olhar de sacerdote? O olhar de levita? Ou o olhar de Samaritano? 

- Se a Plenitude dos Tempos acontecesse hoje, qual seria o olhar de Jesus para mim? O do homem rico, o de Judas ou o de Pedro? 

- Sou sensível às realidades que ferem a dignidade do matrimônio e do amor entre homem e mulher? 


Pe. Samuel Alves Cruz, sds
SCE Equipe 7B - Jundiaí/SP

*Texto usado no Retiro Anual das ENS Jundiaí (14 a 16 de Setembro de 2012)

terça-feira, 18 de setembro de 2012

O casal inserido no contexto da parábola do Bom Samaritano

Antes de tudo é importante notar que Jesus Cristo conta esta parábola para responder à pergunta sobre “Quem é o meu próximo”. Tal pergunta foi feita a partir de um breve diálogo travado com Jesus e o doutor da lei, quando este pergunta primeiramente a Jesus o que deve fazer para possuir a vida eterna. Ao que Jesus o questiona sobre o que está escrito na lei. O doutor da lei responde: “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o te coração, de toda a tua alma e com todas as tuas forças, e ao próximo como a si mesmo”. 

A parábola do Bom Samaritano está, portanto, inserida dentro de um contexto no qual Jesus fala sobre a vida eterna e sobre o próximo. A partir de uma visão escatológica, podemos dizer que um conceito está profundamente ligado a outro. A Vida Eterna é muito mais do que uma vida post mortem, mas é a graça de participarmos plenamente da glória de Deus. E esta vida eterna está condicionada ao modo como eu me relaciono com o Deus, ou melhor, ao modo a partir do qual eu reconheço Deus no meu próximo. Como nos diz o célebre São João da Cruz: “No ocaso da vida, seremos julgados pelo amor”. É o modo como eu amo e sou inserido na vida do outro, que me torna partícipe da vida eterna. 

A parábola que Jesus nos conta fala de um homem, sem identidade, mas provavelmente Judeu, que descia de Jerusalém para Jericó. À primeira vista, é uma simples caminhada de mais ou menos 30 Km, se não notarmos que ele está fazendo um movimento de descida. Jerusalém é a cidade santa, capital do reino de Judá, ao sul. A cidade de Jerusalém representava as coisas espirituais, as coisas de Deus, era a sede do Templo de Salomão. Jericó era um grande polo comercial, a cidade das trocas, do ouro, da usurpação. Era uma cidade que se encontrava cerca de 300 metros abaixo do nível do mar. Ela representava as coisas do mundo. Jerusalém representa as coisas do alto e Jericó representa as coisas de baixo. 

O homem sem identidade cai nas mãos de ladrões que lhe roubam tudo e o deixam quase morto. O homem é desprovido totalmente de sua dignidade, está quase morto. Eis que pelo caminho passa, também descendo de Jerusalém para Jericó, um sacerdote e um levita. Ambos são homens conhecidos, estudados e conhecedores da lei. A lei judaica proibia que se tocasse qualquer pessoa ferida ou morta, sob a condição de se tornar também impuro. Talvez ambos estivessem voltando do Templo, e por isso estavam purificados e por isso, com medo de se tornarem impuros. Também podia ser que temessem a mesma sorte que aquele pobre homem, uma vez que aquela estrada era um tanto perigosa, por conta do comercio e das riquezas presentes em Jericó. O apego à lei fez com que nem o sacerdote e tampouco o levita usassem de misericórdia. 

A lei quando deixa de ser expressão de garantia de paz, justiça, liberdade e vida, ela perde a sua essência. Isto era muito corrente na época de Jesus Cristo: as pessoas obedeciam às leis sem saber o contexto histórico, e com isto, muitas vezes não compreendiam o porquê de determinadas leis que eram obedecidas. Obedeciam por obedecer. A experiência de Deus que o sacerdote e o levita faziam era sufocada pela obediência cega à lei, e com isso não dava vazão à misericórdia e à caridade. Ambos passaram adiante. 

Jesus Cristo tinha a sublime missão de estabelecer o Reino de seu Pai! A salvação a nós concedida está profundamente relacionada com o modo a partir do qual acolhemos e nos inserimos no Reino de Deus. No exercício de sua missão, Jesus quebrou muitos paradigmas de sua época. Os seus atos e ensinamentos desafiavam costumes e tradições de sua época. 

Em sua história Jesus coloca um samaritano, que passa pelo caminho e vendo o homem quase morto, se compadece dele e o ajuda. Ao invés da nobre atitude partir de um sacerdote ou de um levita judeu, parte de um samaritano. Alguém pertencente a um povo que os judeus abominavam. A questão sobre quem era o próximo era objeto de constantes discussões entre os mestres de Israel na época de Jesus. Havia opiniões das mais abrangentes. Porém, havia um consenso entre eles no sentido de excluir da categoria “próximo” os inimigos. O “próximo” era apenas o membro do Povo de Deus. 

Vamos entender as origens históricas da relação entre os judeus e samaritanos. Trata-se de dois grupos cujas vicissitudes históricas tinham separado e cujas relações eram bastante conflituosas no tempo de Jesus. Historicamente, a divisão começou quando, em 721 a. C., a Samaria foi tomada pelos assírios e foi deportada cerca de 4% da população. Na Samaria se instalaram colonos assírios que se misturaram com a população local. Para os Judeus, os habitantes da Samaria começaram a se paganizar. A relação entre as duas comunidades de tornou ainda mais hostil quando, após a volta do exílio da Babilônia, os judeus recusaram a ajuda dos samaritanos para a reconstrução do Templo de Jerusalém no ano de 437 a. C. e denunciaram os casamentos mistos. Com isso, os judeus tiveram que enfrentar a oposição dos samaritanos na reconstrução da cidade. No ano de 333 um novo acontecimento foi a gota d´água: os samaritanos construíram um templo no monte Garizim, que foi posteriormente destruído por João Hircano e, 128 a. C. mais tarde, as desavenças continuaram: a mais famosa aconteceu já no tempo de Jesus, quando os samaritanos profanaram com ossos o templo de Jerusalém. 

Os judeus desprezavam os samaritanos, por serem uma mistura de sangue israelita com estrangeiros e consideravam-nos hereges em relação à pureza da fé javista; enquanto que os samaritanos pagavam aos judeus com um desprezo semelhante. 

Na parábola, o próximo do homem que fora assaltado é o samaritano, por ter usado de misericórdia. Da mesma forma, que o próximo do samaritano foi aquele homem não identificado semi-morto. O convite de Jesus, para fazermos o mesmo, vai muito além do convite ao exercício da misericórdia e da caridade. Somos chamados por Jesus a sairmos de nós mesmos para sermos sempre mais configurados àquilo para que fomos chamados: sermos luz para os irmãos, sermos o próximo do outro! 

Muitas vezes nos comportamos como o sacerdote e/ou o Levita, apegados à lei e ao culto, não dão vazão à caridade e não respondem às necessidades dos irmãos. Todavia, também somos chamados a ser como o samaritano que, tendo feito a experiência de Deus e por isso, tocado e transformado por este amo, foi capaz de ir em socorro do próximo! 

Queridos casais, vocês são chamados por Jesus Cristo a, na relação a dois, um ser o próximo do outro. Da mesma forma que o samaritano foi o próximo daquele homem, e vice-versa. Vocês são sujeitos ativos no processo de salvação um do outro. 

PARA INSERÇÃO NA VIDA DO CASAL 

- Jerusalém representa as coisas do alto, a presença de Deus. Enquanto que Jericó representa a perdição, o perigo. Muitas vezes em nossas vidas somos tentados a descer este caminho, e com isso, somos muitas vezes despidos de nossa dignidade humana e ficamos meio mortos pelo caminho. Quando deixamos a desejar no nosso relacionamento matrimonial, é como se descêssemos de Jerusalém para Jericó. Têm sido frequente na relação conjugal, tais descidas de Jerusalém para Jericó? 

- Enquanto casais das Equipes de Nossa Senhora, vocês estão comprometidos com o sacramento do matrimônio e, no entanto, todos têm amigos e/ou familiares cujas vidas seguiram outro rumo (uniões de fato, segunda união, divorciados). Qual é a vossa posição diante de casais que estão ao redor, e em algum momento da vida fizeram este caminho de descida de Jerusalém para Jericó? O que fazer para que a afirmação do compromisso de vocês com o sacramento não exclua milhões de pessoas cuja vida tomou outro rumo? 

- O samaritano deixou a segurança de Jerusalém para se aventurar no mundo violento, no qual entra um homem que foi deixado como morto. A missão de vocês, enquanto casal cristão e testemunho do sacramento do matrimônio, os leva a um mundo violento, onde encontrarão muitas pessoas feridas. De que forma o vosso matrimônio está sendo também um movimento para fora, ou seja, um sair de si mesmos para ir ao encontro do outro? 

Pe. Samuel Alves Cruz, sds
SCE Equipe 7B - Jundiaí/SP

*Texto usado no Retiro Anual das ENS Jundiaí (14 a 16 de Setembro de 2012)

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Exaltação da Santa Cruz

14 de Setembro. Nos reunimos com todos os santos, neste dia, para exaltar a Santa Cruz, que é fonte de santidade e símbolo revelador da vitória de Jesus sobre o pecado, a morte e o demônio; também na Cruz encontramos o maior sinal do amor de Deus, por isso : 

"Nós, porém, pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os pagãos " (I Cor 1,23) 

Esta festividade está ligada à dedicação de duas importantes basílicas construídas em Jerusalém por ordem de Constantino, filho de Santa Helena. Uma, construída sobre o Monte do Gólgota e outra, no lugar em que Cristo Jesus foi sepultado e ressuscitado pelo poder de Deus.

A dedicação destas duas basílicas remonta ao ano 335, quando a Santa Cruz foi exaltada ou apresentada aos fiéis. Encontrada por Santa Helena, foi roubada pelos persas e resgatada pelo imperador Heráclio. Graças a Deus a Cruz está guardada na tradição e no coração de cada verdadeiro cristão, por isso neste dia, a Igreja nos convida a rezarmos: "Do Rei avança o estandarte, fulge o mistério da Cruz, onde por nós suspenso o autor da vida, Jesus. Do lado morto de Cristo, ao golpe que lhe vibravam, para lavar meu pecado o sangue e a água jorravam. Árvore esplêndida bela de rubra púrpura ornada dos santos membros tocar digna só tu foste achada". 

"Viva Jesus! Viva a Santa Cruz!"

Santa Cruz, sede a nossa salvação!

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Equipes Jovens de Nossa Senhora em Jundiaí

Amigos,

Estamos convidando filhos de equipistas, amigos, parentes, conhecidos, etc... para participarem das Equipes Jovens de Nossa Senhora. Requisitos: idade de 16 a 30 anos, solteiro/a. Os interessados (que esperamos ser muitos) deverão escrever para simone@jpmaquinas.com.br ou ligar para 11-4526-2223, falar com Simone (nossa filha).

É um movimento muito lindo que nossa filha participa e gostaríamos que mais jovens fizessem parte do mesmo. É muito bom. Ficamos no aguardo do contato de todos vocês equipistas. 

Com carinho,

Vilma e João Paulo (JP)
Equipe 7B - Jundiaí



Nas EJNS, cada equipe é formada por jovens que, com a finalidade de aprofundar a comunhão humana através da ajuda mútua e com o seu testemunho pessoal, se empenham em crescer em conjunto.


Equipes
Recebemos os meios para seguir Cristo pertencendo às várias comunidades da Igreja: paróquia, grupos profissionais, movimentos … Tendo como exemplo o grupo de apóstolos, as EJNS escolheram a Equipe como meio privilegiado de viver em Igreja, seguir Cristo e ser Sua testemunha.

De Jovens
Os membros de uma Equipe podem ser muito diferentes na sua experiência humana e espiritual, no seu nível de fé, na sua cultura, modo de vida e atividades. A sua idade corresponde a um momento da vida em que há decisões importantes e novos rumos a tomar. Eles querem aprofundar a sua fé, viver o Evangelho a cada dia e conhecer os meios para discernir com a luz do Espírito Santo cada passo das suas vidas: estudo, profissão, situação de vida.

De Nossa Senhora
Nossa Senhora é o nome que trazemos por herança nas nossas Equipes. Com ele recebemos a vontade de querer cada vez mais dar a Maria o lugar que é seu no mistério de Cristo. As EJNS puseram-se sob a proteção de Maria, Mãe de Deus, exprimindo com a mesma confiança, o desejo de amar cada vez melhor e a certeza de receber pela sua mediação uma fé mais profunda, uma entrega mais sincera à luz do Espírito Santo e um amor mais fiel à Igreja. A vida de Equipe desenvolve valores humanos de que Maria é o modelo: amor, disponibilidade, paciência, confiança, fé, ajuda mútua e perseverança. Como o Sim de Maria deu sentido à história da humanidade, o nosso sim também se torna participação ativa na Obra da Salvação.

 

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Bíblia, mensagem de Deus para nosso tempo


Em um mundo com pressa, em que as mudanças se processam de maneira tão rápida, o barulho e os conflitos permeiam nossos dias, somos chamados como homens e mulheres de fé, a escutar as mensagens de Deus nas Sagradas Escrituras.

Para o nosso tempo Deus tem uma mensagem. Esta mensagem, que foi proclamada em tempos e etapas diferentes da história, hoje nos convoca a sermos ouvintes.

O mês de setembro, como mês da Bíblia, nos oferece a oportunidade para conhecê-la mais.

Bem-vindo, mês de setembro, mês da pátria brasileira, mês da primavera, mês da Bíblia.

Este mês nos faz mergulhar num tempo que pede maior atenção à palavra de Deus. Milhões de pessoas, de fato, já encontraram nela um sentido para suas vidas, porque este livro procurado e lido por tanta gente possui um segredo: “Deus quer falar ao nosso coração”.

Através de sua leitura, Jesus Cristo, plenitude da revelação divina, oferece luz e vida a todos. Chama-nos a viver segundo a vontade daquele que nos criou à sua imagem e semelhança.

A Bíblia é, sem dúvida, um tesouro de onde podemos tirar inspiração, força e orientação para nossa caminhada pessoal e comunitária.

A palavra de Deus nos ilumina e nos dá esperança de um mundo de fé, justiça e solidariedade.

Que a leitura da Sagrada Escritura seja nossa salvação e proteção, e que a divina luz do Espírito Santo acenda em nossa alma o amor, o perdão e a compreensão.

Lúcia e Rubson 
Eq.02B - N. S. das Graças 
Ribeirão Preto-SP
Carta Mensal Set/2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Os aspectos Históricos Bíblicos da Liturgia

A liturgia é a realidade mais viva e a expressiva da vida da Igreja. É na liturgia, que a Igreja exprime a sua identidade reconhecida, sua mesmidade renovada. Na liturgia, a Igreja faz a experiência de seu ser e do seu existir. A liturgia é a própria Igreja em sua mais densa relação simbólica com Deus e com a sua identidade. A liturgia é, e continuará a ser, o símbolo mais rico da vida cristã, a mais original forma de que nós crentes dispomos para falar de salvação que nos foi dada, a esperança que nos inunda.

Sendo a liturgia ao mesmo tempo "humana e divina" (SC nº 2), é importante, em relação à sua compreensão, estudá-la antes de tudo na palavra de Deus, norma de fé e de vida, e na tradição que esta palavra transmite integralmente. É importante também um estudo histórico das formas de celebração litúrgica, para compreender a sua estrutura e seu significado, e as eventuais degenerações ou enriquecimentos que passou no decorrer do tempo. Os textos bíblicos e eucológicos (conjunto das orações litúrgicas da Igreja ou o estudo que se faz deste conjunto de orações) usados pela liturgia são a manifestação mais característica da concepção que a Igreja tem a respeito da liturgia e do seu mistério. Estes textos exprime uma determinada visão teológica dos dons da salvação dos quais a Igreja é portadora, uma teologia litúrgica que é preciso fazer emergir. Tudo isto deve conduzir à experiência de fé e à vida vivida em coerência com os mistérios dos quais participamos. A liturgia é uma realidade para ser redescoberta, celebrada e vivida.

Diante do processo de mudança de época em que vivemos devemos considerar alguns pontos que são fundamentais para viver com inteireza o mistério de Cristo na liturgia. Por isso podemos nos perguntar: como estamos cuidando da saúde espiritual da nossa celebração? Qual é a liturgia que Deus prescreve? Para responder estas questões é preciso que o conceito de liturgia seja ampliado.

Analisemos a liturgia segundo o contexto bíblico que nos faz compreender o processo de transformação que a mesma passou ao longo da história.

Leitura do texto: Lc 10, 25-37 - Neste texto bíblico nos deparamos com a primeira LITURGIA realizada por Jesus de Nazaré.

Carlos Mesters (frade carmelita holandês, missionário no Brasil desde 1949, sacerdote desde 1957, doutor em Teologia Bíblica e um dos principais exegetas do método histórico-crítico no Brasil) diz que toda parábola deve estar numa moldura.

Esta parábola pode ser dividida em três partes:

1. Lc 10, 25-29 - A conversa com um doutor da Lei.
2. Lc 10, 30-35 - Quem é meu próximo. (O centro da parábola)
3. Lc 10, 36-37 - Vai e faz o mesmo.

O sacerdote representa o TEMPLO.

O levita no templo tem a função de catar os salmos.

Nesta parábola podemos perceber que o nosso próximo é aquele que precisa da nossa proximidade, ou seja, estender a mão ao caído ultrapassa todo e qualquer tipo de costumes e preceitos. Em outras palavras na Liturgia Deus, por meio de Jesus na força do Espírito Santo é a dedicação total e integral a comunidade.


Pe. Márcio Felipe de Souza Alves
SCE Setor A - Jundiaí

Um par de sapatos velhos...

Como é bom fazer o bem! Assistam este vídeo e reflitam...

Que Deus possa nos usar para fazer o bem e para espalhar o amor... 
Boa semana!

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Testemunho do XI Encontro Internacional (3º dia - 23/07/2012)


Texto extraído da palestra de Carlo e Maria Carla Volpini (Casal Responsável ERI) 

Um homem descia de Jerusalém a Jericó e caiu nas mãos de ladrões que o despojaram; e depois de o terem maltratado com muitos ferimentos, retiraram-se deixando-o meio morto. Por acaso desceu pelo mesmo caminho um sacerdote, viu-o e passou adiante. Igualmente um levita, chegando àquele lugar, viu-o e passou também adiante. Mas um Samaritano que viajava, chegando àquele lugar, viu-o... 

O verbo ver repetido 3 vezes: um sacerdote o viu, um levita o viu, um samaritano o viu..., ver é o único verbo que não exprime movimento físico, mas contém, neste contexto, uma infinidade de movimentos interiores do coração, do espírito , da mente, da alma. 

Juntos procuraremos entender plenamente o que o Senhor quer nos dizer através destes versículos da parábola, concentrando em particular nossa atenção no verbo “ver”. 

O contexto 

A cena situa-se na estrada que de Jerusalém conduz a Jericó. Um homem descia de Jerusalém... Do alto para baixo é um movimento de descida que se realiza continuamente na nossa vida: Neste contexto o alto é representado por Jerusalém e o baixo por Jericó, uma cidade que se encontra 300 metros abaixo do nível do mar, Jerusalém é a cidade santa, em direção à qual subirão todos os povos; Jericó é a cidade do mundo pagão e secular. Jerusalém simbolicamente, a cidade celeste para a qual todos nos dirigimos e quando descemos de Jerusalém quer dizer que nos afastamos de Deus. Afastar-se de Deus só pode levar a situações em que não há felicidade,porque longe de Deus o homem não pode alcançar aquela plenitude de vida para a qual é chamado e para a qual foi criado. 

Ele o viu 

Porque só o samaritano viu o homem meio morto estendido no chão? E o sacerdote? E o levita? Acaso não o viram eles também? Quer dizer então que existem diversos modos de ver e não todos permitem chegar à plenitude e à completude do ver. Se forem procurar no dicionário o verbo ver encontrarão esta explicação: captar imagens pela visão, perceber por meio dos olhos. Ver com os olhos é portanto suficiente para captar uma imagem, uma figura mas não mais do que isso. 

A raiz etimológica nos leva, portanto, a outro ver que não é somente olhar com os olhos mas distinguir , discernir, e depois saber, isto é, entender, no sentido não apenas de ter conhecimento mas de ter discernimento. Para ver de verdade devemos no contentar, portanto em utilizar o sentido da visão ou devemos aprender a abrir os olhos do espírito? Precisaríamos ser uns mestres neste sentido porque todos nós, homens e mulheres unidos pelo sacramento do amor, sabemos que quando amamos profundamente o nosso cônjuge somos capazes de ver muito além de sua imagem exterior, vemos na profundidade de seu coração e de sua alma. E o amor, quando é verdadeiro, faz logo você ver além, porque o ver dado pelo amor não tem tempos. 

Mas... 

Porque o samaritano consegue ver? Porque não se coloca barreiras com os pensamentos racionais que talvez tenham feito desviar o sacerdote e o levita: posso aproximar-me? É-me lícito tocar? É conveniente para mim? O que diz a lei a respeito? O samaritano, assim como os outros dois homens quase tropeça no corpo do homem meio morto: trata-se de uma coisa nova, inesperada, imprevista, mas o samaritano vê isso porque é capaz de acolher Neste imprevisto, aproxima-se e não sabemos se o faz por grande espírito de solidariedade porque o evangelho não o diz, aproxima-se porque aquela coisa nova aconteceu, um homem meio morto no seu caminho, e ele não olha do outro lado, mas se faz presente na realidade do momento. O samaritano vê aquele homem meio morto porque se deixa interrogar pelo seu olhar, que é aquele de um homem necessitado e responde àquele olhar: a necessidade do homem torna-se mais importante do que qualquer outra coisa. Não basta viver ao lado, é preciso viver junto. Faltar ao compromisso com o outro significa faltar ao compromisso com a vida. 

O levita e o sacerdote passaram pelo outro lado e faltaram ao compromisso com a vida porque naquele momento era Deus mesmo que os esperava no corpo ferido daquele homem. O levita e o sacerdote não compreenderam que a vocação dos cristãos é compartilhar generosamente o amor nos diversos caminhos que hoje percorre a humanidade, caminhos novos e às vezes perigosos, mas sempre abertos às pessoas que estão caminhando. 

Nós, homens, podemos nos tornar capazes de ver as realidades de mil formas diferentes e, portanto,, ter uma resposta diferente para cada realidade vista e de estabelecer relações diversas conforme o nosso modo de ver. O senhor conhece só uma: ver e amar. E este samaritano faz aquilo que o sacerdote e o levita, e talvez também nós, não foram capazes de fazer: ele ama. Não ama só com os sentimentos, ama com toda uma série de gestos concretos: vê o homem, tem compaixão, aproxima-se, enfaixa as feridas, derrama óleo, derrama vinho, carrega-o sobre o jumento, leva-o à hospedaria, trata-o, tira dois denários e os dá ao hospedeiro, dá umas instruções e promete que o reembolsará na volta. 

Adquire ainda mais significado o fato de que o Evangelho descreve aquele homem estendido no chão como meio morto, isto é, entre a morte e a vida. Quem o vê assim, entre a morte e a vida, é chamado a escolher se vai ficar do lado da morte e prosseguir sem se importar com ele, ou ficar do lado da vida e cuidar dele. Este homem samaritano ao se aproximar dele parece que quer lhe dizer: eu tomo posição a favor da tua vida. O samaritano é o Cristo que vê o homem, vê cada homem na sua realidade de vida, o ama, nos ama e cuida de nós ao escolher nos dar a vida até a sua morte. A esperança que aquele homem possa se recuperar gera no samaritano uma série de comportamentos concretos que são comportamentos eficazes, nascem com um sentimento que insiste naquela expressão: viu-o e teve compaixão, isto é, amou-o. O homem meio morto poderia representar muitas coisas da nossa realidade atual por exemplo, aquelas pessoas em situações dramáticas de pobreza, de doença, de dificuldade, todas aquelas pessoas que experimentam a maior solidão por causa de amores doentes e feridos, ou a marginalização devido a escolhas pessoais erradas ou que são oprimidas pela dificuldade de viver. É uma carga pesada que não podem carregar sozinhos, é necessário que alguém os veja , pare junto deles para escutar, compartilhar e servir. 

Viu-o. Devemos, portanto aprender a amar com os olhos como fazia Cristo e entender que o percurso não é ver, avaliar, amar, como muitas vezes estamos acostumados a fazer, mas ver e amar como fez Cristo: ...fixou nele o olhar, amou-o... (Marcos 10,21). 

O Senhor vê o homem e o ama enquanto nós o julgamos; o Senhor vê o pecado e perdoa enquanto nós separamos os bons dos maus, os fiéis dos infiéis, quem está dentro de quem está fora, o Senhor vê as nossas necessidades e nos dá gratuitamente o seu amor enquanto nós escolhemos quem é digno do nosso amor, o Senhor vê no nosso coração sem limites enquanto nós nos preocupamos de estabelecer limites e levantar barreiras; o Senhor põe a caridade como fundamento da fé, enquanto nós pensamos, às vezes, poder viver a nossa fé dentro de uma gaiola de normas e de regras que muitas vezes esquecem o homem. 

Concluindo

Viu-o. Não podemos fazer nada mais do que conseguir ver com os olhos de Cristo porque no fim a vida é somente um pouco de tempo que Deus nos doa para aprender a amar e, sobre este dom que nos foi entregue, Deus Pai, no fim dos nossos dias, nos interrogará fixando seu olhar sobre o nosso. Estaremos prontos para responder ao seu olhar? 


Testemunho dado na reunião de grupo 

Nossa reunião de grupo foi composta de oito casais oriundos dos Estados de SP, Paraná, Ceará, da cidade de Brasília. A coordenação da mesma coube a um padre, de nome Tadeu, da cidade de Votuporanga, SP. 

Contou-nos o padre que há poucos anos atrás, quando tinha quarenta anos de idade, foi acometido de uma doença abdominal bastante séria, que o levou a ser hospitalizado. Esteve entre a vida e a morte, por três meses. Nessa condição pode perceber o olhar, Samaritano, dos médicos e atendentes hospitalares, seus cuidadores. 

Tendo saído com vida dessa penosa condição, achou, que deveria de alguma forma retribuir todo esse amor recebido, olhando com o mesmo olhar Samaritano a todos que passassem por ele no hospital, a partir daquele momento. 

Ficou assim, durante mais nove meses, se compadecendo, amando e atuando como padre e atendente hospitalar, diante das necessidades daqueles que surgiram à sua frente. 

Concluindo, disse ele que, a partir desse seu renascimento, se colocou totalmente nas mãos de Deus, como instrumento. Que o Senhor fizesse dele o que bem entendesse para a realização de Seu plano. É nessa condição que ele, padre Tadeu, hoje um cinqüentão, está vivendo no momento. 

Maria Clara e Antonio Luiz
Equipe 6A - Jundiaí

Este texto foi produzido pelo casal Maria Clara e Antônio Luiz, para ser apresentado na nossa última noite de Oração, do dia 20 de Agosto, onde ouvimos vários testemunhos de casais que estiveram presentes no XI Encontro Internacional. Como observaram, eles falaram do terceiro dia do Encontro (23/07) cujo tema foi "Ele o viu".

Segue vídeo resumido com algumas imagens deste dia:

video


Semana Teológica

A Diocese de Jundiaí convida a todos para a Semana Teológica Regional, que comemorará o 50° Ano da Abertura do Concilio Vaticano II. Esta é uma grande oportunidade para todo cristão, de conhecer melhor a Igreja que faz parte.





De 08 a 10 de Outubro, as 19:30h, em Louveira.

1º dia - 08/10 (seg) - "Aspectos Históricos do Concílio Vaticano II" com Prof. Luiz.
2º dia - 09/10 (ter) - "Gaudium et Spes - Inculturação e diálogo com a modernidade" com Prof. Eduardo.
3º dia - 10/10 (qua) - "Gaudium et Spes - Diretrizes para a Ação Evangelizadora" com Prof. Adilson Benedetti.

Aproveitem esta oportunidade. Participem!